Autor: Karel Luketic

Cessar fogo entre EUA e China deve das suporte a mercados; Reiteramos visão positiva para o Ibovespa

O acordo de cessar fogo entre os EUA e a China saído do G20, somado a tom mais brando do Fed em relação à necessidade de alta de juros, foi o gatilho que faltava para diminuir a aversão a risco nos mercados globais. Tem 90 dias à frente de negociação entre EUA e China, mas esperamos que este ambiente leve a: (1) um dólar mais fraco, (2) estabilidade da curva de juros dos EUA, (3) VIX mais baixo (expectativa de volatilidade do mercado de ações), (4) fortalecimento dos mercados emergentes e (5) preços mais altos do petróleo, conforme destaca nosso Estrategista Global, Alberto Bernal. Vemos o Brasil como nome de destaque dentro de emergentes, com múltiplo atrativo e narrativa que continua a apontar na direção correta. Nas carteiras continuamos a favorecer “cíclicos domésticos”, e adicionamos um toque global, com destaque para BBAS, BTOW, GGBR, PETR, VALE e UGPA.

Brasil, mês um: ainda colocando a casa em ordem, mas apontando para a direção correta

No último mês, o presidente eleito Bolsonaro e sua equipe anunciaram iniciativas que, a nosso ver, apontam para direção correta, apesar dos sabidos desafios adiante na execução. A equipe econômica está quase totalmente composta, com economistas liberais conscientes da urgência do ajuste fiscal e favoráveis ​​à redução do Estado e privatizações. Além disso, as principais indicações para os ministérios e estatais também foram bem recebidas. Sobre reforma da previdência, o futuro ministro da Fazenda Paulo Guedes planeja enviar nova proposta em março, incluindo mudança gradual para regime de capitalização. Nosso time politico destaca que o governo de transição esta em curva de aprendizado, natural, e o maiores desafios serão: (1) articulação política, com foco nas eleições da Presidência da Câmara e Senado e (2) administrar pressões das corporações do funcionalismo público.

O caminho para 125k pontos continua delineado

O Ibovespa superou os mercados emergentes em quase 40% desde as mínimas de setembro, normalizando após o mau desempenho relativo do segundo trimestre. Depois de uma significativa correção desde março, os mercados emergentes negociam a desconto em relação ao histórico, enquanto o Brasil negocia em linha com nível histórico (11x Lucro de 2019). Vemos o nível como atrativo e acreditamos que, em um ambiente de maior otimismo no cenário internacional, casado com a evolução das reformas no Brasil, o Ibovespa se beneficiaria de:

  • Maior crescimento, taxas de juros baixas - com excesso de capacidade, desemprego ainda alto, inflação baixa e ancorada e uma agenda de aumento de produtividade, as taxas de juros poderiam permanecer mais baixas por mais tempo e o crescimento poderia surpreender (tanto no curto prazo como no longo prazo);
  • Como consequência, vemos potencial risco para revisão de lucros para além de 2019 - o consenso é de 23% de crescimento de lucro para 2019, mas apenas 10% em 2020 e 5% em 2021;
  • Menor taxa de desconto - um corte de 100bps no custo de capital leva a uma revisão média de +12,5% nos preços das ações;
  • Entrada de fluxo estrangeiro e doméstico nas ações brasileiras - a alocação de recursos para ações está atualmente em 6,3%, abaixo da média de 8,5% e do pico de 14% (excluindo fundos de pensão).

Gráfico de sensibilidade Ibovespa

Carteiras XP – performance e trocas do mês

A Carteira Recomendada XP acumula alta de +26,3% desde seu início em julho, 3,3% a mais que o Ibovespa. No último mês, acumulou alta de 2,5%, onde um cenário internacional mais adverso trouxe volatilidade a nomes expostos a commodities como Petrobras e Vale, mas mais do que compensado por nomes domésticos como BTOW, BBDC e CMIG, seguindo sinais positivos do governo. No portfólio de dezembro (1) substituímos a Cemig pela Gerdau e (2) diminuímos o peso de Bradesco para aumentar em Vale, a fim de adicionar exposição à commodities em função de uma potencial recuperação de preços após o encontro do G20.

Análises da Carteira Recomendada XP