Autor: Marco Saravalle

Está na hora de ficarmos mais otimistas. Uma de nossas preferencias no setor.

Raio-X

A Gerdau é líder em aços longos nas Américas. Possui operações em 14 países com capacidade instalada de cerca de 25 milhões de toneladas.  As operações no Brasil representam cerca de 32% das receitas e 40% do EBITDA. A América do Norte fica com 40% das receitas e 19% da geração de caixa operacional. O restante advém de operações na América do Sul e de aços especiais. A diversificação geográfica da Gerdau é uma de suas principais qualidades, se traduzindo em maior previsibilidade da geração de caixa. Esta diversificação vai começar a ficar mais evidente e mostrar seus resultados nos próximos meses.

CATALISADORES

  • Recuperação gradual do setor por aqui. Já temos os primeiros sinais de que a recuperação do setor de construção civil (principal demanda por aços longos) já começou. Deveremos acompanhar uma evolução mais consistente ao longo de 2018, podendo se traduzir em forte expansão da demanda pelos produtos da Gerdau.
  • Recuperação dos investimentos por lá. Já estivemos mais otimistas em relação ao possível investimento da ordem de US$ 1 trilhão em infraestrutura nos Estados Unidos. Uma coisa é certa: o setor está carente de investimentos e, mesmo que o montante seja bem menor, os investimentos deverão ocorrer nos próximos anos.
  • Forte fluxo de caixa + desalavancagem. A Gerdau deverá apresentar consistente geração de caixa nos próximos trimestres devendo trazer redução da alavancagem, ou seja, menor percepção de risco e maior potencial de valorização.

RISCOS

  • Velocidade da recuperação local. Nosso cenário base contempla satisfatória recuperação da atividade local, contudo, num cenário mais adverso e/ou mais lento da recuperação da demanda poderá trazer as expectativas para baixo para preços e volume de aço longo em 2018.
  • Mercado americano com margens pressionadas. As margens operacionais no mercado americano continuam muito pressionadas. Caso os investimentos em infraestrutura não ocorram e a competição com importação continue incomodando por lá, as margens podem ter piora, antes de melhorar.
  • Preços internacionais de aço/ minério. Fomos surpreendidos positivamente com a demanda global e preços internacionais de determinadas commodities ao longo de 2017. Contudo, poderemos ver realizações ou certa acomodação nos preços ao longo dos próximos meses, podendo trazer volatilidade para as ações em bolsa.

Texto/ Visão:

Sinais de recuperação por aqui

O setor de construção civil é conhecido como “setor de ciclo longo”. Portanto, os efeitos demoram mais para serem sentidos. Já começamos a ver sinais de recuperação em vendas, lançamentos e abertura de postos de trabalho no setor neste final de ano, portanto, o melhor momento para se posicionar no setor é quando a maior parte dos investidores ainda está cética, mas quando já temos sinais de que o pior de fato ficou para trás. Deveremos passar por seguidos trimestres de recuperação ao longo de 2018, o que poderá impulsionar as ações da Gerdau em bolsa. Acreditamos que a demanda nacional por aços longos poderá apresentar expansão bem acima do PIB em 2018.

 

Sinais de recuperação por lá

Os investimentos em infraestrutura nos Estados Unidos estão bem atrasados e podem ser importante divisor de aguas para o desempenho da Gerdau por lá. Talvez o montante despendido não seja o inicialmente esperado, mas certamente beneficiará as companhias que possuem plantas localmente, como é o caso da Gerdau.

 

Terceiro trimestre seguido de melhora da margem EBITDA

Neste último trimestre a Gerdau mostrou consistência na recuperação de margens, sinalizando que o patamar de ~12% veio para ficar em termos de EBITDA. Podemos ler que a companhia terá capacidade de gerar pelo menos R$ 1,2 bilhão de caixa operacional nos próximos trimestres. Tendo apresentado geração liquida de caixa de R$ 500 milhões no último trimestre, podemos acreditar que em um cenário conservador a companhia irá gerar R$ 2 bilhões de caixa nos próximos 12 meses, o que sinaliza um yield de 11%, bastante satisfatório e consideravelmente superior se comparado a seus pares listados em bolsa. Com geração de caixa, a alavancagem tem se mostrado comportada, com o indicador Dívida líquida/EBITDA caindo modestamente no último trimestre para 3,4x (ante 3,6x no tri anterior). O custo médio nominal ponderado da dívida bruto era de 6,7%. Em 30 de setembro de 2017, o prazo médio de pagamento da dívida bruta era de 5,3 anos.

 

Avaliação e recomendação

Com uma projeção de EBITDA de R$ 4,4 bilhões, as ações estão sendo negociadas abaixo de 6,5x EBITDA para 2018 e cerca de 20% de desconto em relação a média recente. Com isso, em um cenário bastante conservador, podemos acreditar que as ações devem entregar retorno suficiente para compensar o risco. Com as ações bastante atrasadas em relação a seus pares, diversos catalisadores positivos e possíveis surpresas ao longo do ano, acreditamos que as ações poderiam ter performance ainda mais forte. A diversificação de produtos e de geografia traz grandes benefícios para o fluxo de caixa da companhia. Nestes próximos trimestres o benefício deverá ser duplo, com recuperação nos dois principais mercados.

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