Autor: Bruna Pezzin

Transição e Qualidade

Raio-X

A Embraer é uma fabricante brasileira de jatos, que atua nos ramos de aviação Comercial, Executiva e de Jatos Militares. Por conta da forte exposição global, praticamente toda a receita da empresa é atrelada ao US$, e cerca de 60% proveniente do segmento de aviação comercial, hoje o mais relevante de toda a empresa.

CATALISADORES

  • A Embraer possui forte exposição global, o que torna a receita pulverizada em termos geográficos. O fortalecimento de outras economias que não só a brasileira pode ser positivo para a empresa, o que impulsionaria a demanda por jatos. Regiões como a América do Norte e Europa, por exemplo, são relevantes para a Embraer.
  • Um acordo com a Boeing pode impulsionar ainda mais o valor das ações. Hoje ainda não há definição sobre os termos de um possível acordo entre as companhias, embora se saiba que a mudança de controle seja pouco provável. Mesmo assim, a concretização do acordo pode gerar mais valor para a empresa, e resultar na valorização dos papéis (ganho de força comercial, ampliação do escopo de atuação, etc.).

RISCOS

  • O segmento de aviação comercial passa pela transição da linha antiga de jatos para a linha nova, E2, que será lançada aos poucos (a partir desse ano e ao longo do próximo). Uma transição menos branda que a prevista resultaria em carteira de pedidos firmes (backlog) mais fraca, o que representa um risco para o preço das ações. Vale reforçar que esse fator funciona também como um possível catalisador, caso os pedidos surpreendam positivamente. Hoje as expectativas estão mais conservadoras.
  • Como praticamente toda a receita da companhia é indexada ao Dólar, ao passo que um percentual menor dos custos é, a valorização do real tem um efeito negativo imediato nas margens, o que também impacta as ações. Assim, a valorização mais forte que a esperada do Real pode representar um risco para os papéis.

Texto/ Visão:

Alguns dos fatores nos agradam sobre a empresa são a exposição diversificada de receitas, a boa qualidade do balanço, e o forte posicionamento de mercado. No entanto, há dois tópicos que acreditamos que terão mais peso no curto/médio prazo, sendo eles i) o possível acordo com a Boeing e ii) a transição da linha de jatos comerciais (~60% das receitas).

Atualmente a Embraer passa pela transição da linha de jatos comerciais antiga para a linha nova (E2), cujo lançamento se inicia no 2T18 e deve se prolongar até 2019/2020. Ao longo desse processo de transição, é esperado que a carteira de pedidos firmes (backlog) cresça abaixo do ritmo usual, dado que a decisão das companhias aéreas pode ser influenciada. O backlog é um bom indicador das receitas futuras, e as ações historicamente possuem correlação com seu nível.

Outro fator importante para o case é a possível construção de uma aliança com a Boeing, que em nossa visão tende a ser positiva do ponto de vista comercial. No entanto, além de sabermos que a mudança de controle é pouco provável, pouco se sabe sobre qual será o formato desse acordo. As empresas ainda não possuem um plano concreto e formal, o que dá margem para volatilidade no curto prazo.

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