Autor: Marco Saravalle

Está na hora de ficar otimista com CSN...também

Raio - X

A CSN é uma multinacional com negócios em siderurgia, mineração, cimento, logística e energia. A Companhia atua em toda a cadeia produtiva do aço, desde a extração do minério de ferro, até a produção e comercialização de uma diversificada linha de produtos siderúrgicos de alto valor agregado, incluindo aços planos revestidos galvanizados e folhas metálicas. Quando falamos de CSN associamos a alguns principais setores da economia, como o automotivo, construção civil, embalagens e linha branca. Portanto, as atividades da CSN estão diretamente relacionadas com a atividade local (PIB), sobretudo o consumo.

CATALISADORES

  • Melhora operacional. Quando nós olhamos para o volume de vendas de aço, cerca de 62% fica concentrada no país. Portanto, no cenário de recuperação da atividade local, a CSN tende a ser uma das companhias que mais se beneficiará do mesmo.
  • Desalavancagem. A companhia possui diversas ferramentas para reduzir seu endividamento e caso eles ocorram as ações em bolsa poderão apresentar forte valorização pela menor percepção de risco. Entre as principais alternativas, elencamos: venda de ações da Usiminas, venda de ativos e renegociação de financiamento com os bancos.
  • Crescimento global. Este é o fator menos relevante no curto prazo, contudo, é mais um indicador positivo. Esperamos que o crescimento mundial continue sustentando os preços de commodities no mercado internacional, podendo até justificar novos aumentos de preços localmente.

RISCOS

  • Cenário econômico de longo prazo. Leituras de menor crescimento econômico local no longo prazo podem trazer incertezas em relação a geração de caixa da cia e, consequentemente, trazer volatilidade para as ações em bolsa.
  • Redução da alavancagem. O atraso na venda de ativos e/ou redução do endividamento pode trazer novas preocupações em relação à liquidez financeira da companhia.
  • Movimentos proprios e de concorrentes. Não acreditamos em grandes movimentos no setor em 2018. Contudo, sinalização de consolidação e/ou aumento de concorrência podem trazer volatilidade para as ações em bolsa.

Texto/ Visão:

O que aconteceu

Sabemos e reconhecemos que a companhia sofreu drasticamente os efeitos da recessão pela qual atravessou o país. Com isso, uma empresa que rodava na casa dos R$ 6 bilhões de geração de caixa operacional (EBITDA) em 2011, sofreu o impacto, despencando o indicador para menos de R$ 2 bi em 2015. A dívida bruta da companhia sempre foi considerada elevada e rodou no patamar próximo de R$ 30 bilhões nos últimos anos. No entanto, os indicadores de alavancagem relativos à geração de caixa simplesmente explodiram (este indicador passou de 2x para o patamar preocupante de 15x no pico da alavancagem). Com isso, as ações em bolsa saíram do patamar acima de R$ 20/ação em 2010 para a casa dos R$ 3/ação ao longo de 2015. Esta preocupação ainda existe, mas parece estar ficando menor. Vamos ver o que está acontecendo agora.

Resultados recentes e perspectivas

Os últimos resultados da CSN já mostraram que a recuperação está em curso e reforçaram a característica de alavancagem operacional. A receita líquida somou R$ 4,8 bilhões no 3T17, apresentando expansão de 12% em relação ao período anterior. Contudo, o EBITDA ficou 35% maior. Com isso, alavancagem, passou de 7,4x para 5,5x na comparação anual. Sabemos que a recuperação operacional já começou e deve continuar ao longo de 2018, contudo, a incerteza será a velocidade e a intensidade. Após o anúncio de aumento da ordem de 23% dos preços de aços para as montadoras no início do ano, acreditamos que poderemos ter surpresas positivas ao longo do ano. Uma delas já aconteceu que foi mais um aumento da ordem de 12%, agora para a rede de distribuição. Portanto, não descartamos que os números atuais sejam revistos para cima.

Redução da alavancagem

Alguns eventos podem acontecer num futuro próximo que deverão impulsionar as ações em bolsa. Antes de elencar, lembramos que alguns deles já aconteceram no histórico da cia, levando as ações à forte valorização. Vamos aos principais (possíveis) eventos: venda da participação da CSN na Usiminas (este valor poderia somar mais de R$ 2 bilhões); renegociação de dívidas com os principais bancos (isso traria alívio para os vencimentos de curto prazo) e venda adicional de ativos (a companhia possui participação em bons ativos que não são o “core” de mineração/ siderurgia).

Avaliação e recomendação

Se olharmos para a expectativa de retomada da geração de caixa (EBITDA) na casa dos R$ 5 bilhões este ano, com capex rodando na casa dos R$ 1,2 bilhão, além da possível redução da alavancagem, teremos uma companhia não só voltando a gerar caixa líquido, mas de uma maneira relativamente forte. Em termos de free cash flow yield, o valor poderá se aproximar de 10%. Portanto, acreditamos que o momento é bastante positivo para a Industria, e as ações da CSN tornaram-se uma das melhores opções para “surfar” esta tendência de recuperação operacional.

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